Hamster da rodinha

Não quero parecer monocórdico, mas o essencial dos dados externos não são as exportações e sim o equilíbrio. Claro que as exportações são importantes. Mas também convém olhar para as importações. Em termos homólogos com o terceiro trimestre do ano passado, as exportações cresceram 5.8%, mas as importações cresceram 3.6%. Quando medidas em relação a Agosto, as exportações cresceram 18.7%, mas as importações cresceram 14.4%. Isto teria pouca importância não fora dar-se o caso de a economia continuar a contrair. Ou melhor, suspeita-se que terá crescido marginalmente em cadeia (i.e. deste trimestre para o anterior) mas sabe-se que continua cair em relação ao ano passado. Boa parte da explicação deste pequeno crescimento deve-se a uma certa reanimação da procura interna (Autárquicas, devolução de subsídios a funcionários públicos, turismo a fugir da “primavera árabe”…). Ou seja, bastou reanimar-se um bocadinho de nada o consumo e o investimento internos para que as importações voltassem em força. Se reanimassem completamente, o suposto brilharete do equilíbrio externo ia rapidamente pelo cano. Se a isto acrescentarmos o facto de o grande sucesso das exportações ser o gasóleo, que tem uma enorme componente importada, parece-me que continuamos como o hamster da rodinha.

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