Proteger os investimentos

Os célebres editoriais do Jornal de Angola (hoje há mais um) são compreensíveis. Um pouco injustos mas compreensíveis. São injustos porque, ao contrário do que diz Álvaro Domingos num desses editoriais, não é verdade que Angola seja “sempre o alvo” daquelas a que chama as “elites portuguesas famintas de dinheiro” (que também designa por  “os deserdados dos dinheiros do depauperado Estado português”). Muito pelo contrário, as elites portuguesas babam-se aplicadamente perante o kwanza e barram a elite angolana com muita manteiga: o que vou vendo por aí (incluindo as desculpas do ministro Machete) ultrapassa aquilo que alguma vez seria possível imaginar há uns anos. Mas compreende-se o desencanto de Domingos e outros editorialistas. Repare-se que o objecto das críticas, na realidade, é sempre a comunicação social. De facto, só nos jornais e televisões é que aparecem de vez em quando algumas considerações desagradáveis sobre o regime angolano, embora cada vez menos. Mesmo as críticas à Procuradoria-Geral da República não se dirigem à investigação em si, mas ao facto de ter deixado a informação sair para os jornais. Ora, não foi para isto que tanto dinheiro angolano andou a comprar jornais e televisões em Portugal. É preciso proteger os investimentos.

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