Charneira

Muita gente ficou preocupada com o facto de, recusando o “acordo de salvação nacional”, o PS ficar refém da extrema-esquerda. Redondíssimo engano. A conversa do PS partido “charneira” quer dizer exactamente isso, que ele é a charneira entre a esquerda e a direita. Quer dizer que o PS é um partido de esquerda e é um partido de direita. Em 1975, aliou-se com a mais radical das direitas para derrotar o PC. Mas de 1976 a 1989 foi o defensor das “conquistas irreversíveis da classe trabalhadora” na Constituição. Não foi o PC (coitado do PC, com os seus votos nunca conseguiria tal coisa). E desde então é o defensor do Estado Social, até ao dia em que não é, como no caso das reformas da Segurança Social e do Ensino no tempo de Sócrates. Jogar alternadamente no tabuleiro da esquerda e no da direita é a definição do PS, é o que ele é, é a sua estranha, e única possível, forma de vida. O PSD também é um partido charneira: é de direita e é de esquerda. Mas isso não vem agora ao caso. Lembro-me apenas do que os meus colegas do PSD chamavam aos do CDS, quando participei numa lista eleitoral conjunta entre os dois partidos: eram os “fachos”.

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