O drama da Europa

70% dos italianos seriam contra o regresso da lira (incluindo os “grillini”, i.e. os apoiantes de Grillo). São os mesmos que votaram contra a austeridade há duas semanas. Isto significa, na Itália como cá, como em Espanha e na Grécia, que o programa político preferido da população é o velho programa siciliano, tão bem descrito por Tomasi di Lampedusa no Leopardo: alguém que pague o nosso modo caprichoso de viver. O nosso modo aristocrático de viver. Recusar simultaneamente a austeridade e a saída do euro corresponde a afirmar que só há um caminho válido, aquele que não implica sacrifícios, a não ser o dos que o financiam; corresponde a dizer: não queremos austeridade, não queremos as responsabilidades de voltar à moeda própria, queremos a Alemanha a pagar sem impor condições. O problema está na impossibilidade de tudo isto: a Alemanha não pode deixar de continuar a impor condições.

O leopardo Don Fabrizio, recusando um lugar no senado da recém-criada Itália, em resposta ao emissário piemontês Aimone di Chevalley,explicava-lhe: “o sono, caro Chevalley, o sono é aquilo que eu e os sicilianos queremos, e estes odiarão sempre quem os queira acordar”.

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