Refundação smart

Um exemplo claro da desonestidade com que se debatem certas coisas em Portugal (não sei se também é assim “no estrangeiro”, ou “lá fora”) é a questão do número de funcionários públicos e respectivo pagamento. O “relatório do FMI” não apresenta dados novos, mas repete duas informações interessantes: uma, em termos de proporção da população activa, temos um número de funcionários públicos inferior à média da OCDE (ou da UE, se quisermos), menos até do que esses campeões do liberalismo que são os EUA e a Grã-Bretanha; outra, em percentagem da despesa pública, gastamos muito mais em salários de funcionários públicos do que a média da OCDE.

Os partidários da “refundação” só falam do peso da folha salarial; os adversários da “refundação” só falam do número de funcionários. Ora, o que é interessante aqui é mesmo a discrepância entre as duas coisas: porque razão, com muito menos funcionários públicos, gastamos muito mais com eles? Eu não sei, embora tenha algumas suspeitas (e o “relatório do FMI”, sem ser definitivo, aponta em certas direcções). Mas aqui está algo merecedor de estudo e análise. Se se descobrisse a origem disto e tentasse resolver, poder-se-ia fazer uma reforma simultaneamente eficaz em termos financeiros, pouco gravosa em termos sociais, e ainda eficaz em termos políticos.

É só preciso um bocadinho de trabalho, mas se calhar é pedir demais.



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