Europe is mine, it owes me a living

A indignação contra o “relatório do FMI” confronta-se com um pequeno (pequeníssimo) problema: alguém tem uma alternativa que satisfaça os credores? Repare-se que o relevante não é haver alternativas – há muitas, há tantas, há sempre. O relevante é os credores ficarem satisfeitos.

O “relatório do FMI” é horrível, não exactamente enquanto trabalho académico mas no seu significado ideológico e político: um arremedo de análise do Estado que passa por proposta de reforma do Estado. Uns cortes e uns despedimentos não são reforma nenhuma. Mas é isto que satisfaz o credor, que se está bem nas tintas para reformas desde que lhe paguem.

A única coisa alternativa que tenho ouvido é o pedido de renegociação da dívida e a “solidariedade europeia”. Solidariedade europeia? Deixem-me rir. Se é só isso que têm para oferecer, preparem-se para ver o Governo aplicar o relatório com dedicação e método.

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2 Comments on “Europe is mine, it owes me a living”

  1. […] aqui refere o Luciano Amaral. a maior crítica que se pode fazer às propostas do FMI é que se […]

  2. yesmkt says:

    Ainda a ler (2ª leitura) o tão vilependiado Relatório, oferece-me fazer alguns comentários preliminares:
    1. Não me atrevo, tão precipitadamente como outros têm feito, a classificar a qualidade técnica do Relatório – isso exigiria a análise exaustiva do mesmo e a cotejamento do mesmo com a informação original, nomeadamente quanto à sua validade e actualidade.
    2. O Relatório é, na sua estrutura, a) um diagnóstico de situações e problemas do Estado e b) um menu de reformas – quase sempre, alternativas e exclusivas e não cumulativas, como algumas criticas exacerbadas parecem deixar, propositadamente, implicito. No que diz respeito à parte do diagnóstico, e independemente da necessidade de confirmação do que é aduzido, não hesito em classificar o mesmo de muito interessante e merecedor de reflexão ponderada e de discussão alargada.
    3. Até ao momento, a minha maior critica ao Relatório – e é uma critica substancialmente maior do que qualquer outra que eu já tenha visto – é a de que o Relatório opta por limitar a sua análise a 58% da Despesa do Estado antes de Juros – despesas com Pessoal e transferências sociais – , com o argumenta de que é nestas rubricas que está maioria das despesas. Embora tal seja uma evidência, o Relatório parece esquecer que, por ex, um corte de 5% na totalidade da despesa obriga a um corte de 8,62% nas despesas analisadas. Tal, a meu ver é inaceitável só porque não se teve disponibilidade, vontade, ou o que quer que seja, para analisar a totalidade das despesas. Até porque este corte incidirá sobre pessoas – funcionários e pensionistas, na sua maioria.
    4. Espero que alguem tome a iniciativa de patrocinar um debate público sobre a Reforma do Estado, já que os Partidos não parecem capazes de se entender sobre a necessidade dessa discussão, mas, contrariamente, parece haver um razoável consenso na sociedade de que esse debate seja feito. Seria tarefa para instituições como a SEDES, as Universidades, a Fund.Manuel Santos, para o Jornal de Negócios, Diário Económico ou Expresso, ou para parcerias entre várias das anteriormente referidas. Se o Relatório do FMI pode ou não ser usado para iniciar essa discussão, deixo à superior consideração, mas creio já ser inevitável.


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