A periferização da Alemanha

Incêndio em quinta alemã mata 86 camelos.


Where’s Pedro?

Merkel visita líderes do Sul antes da cimeira sobre o orçamento da UE: “German Chancellor Angela Merkel is receiving Italy’s PM Mario Monti Thursday to discuss the 2014-2020 EU budget to be agreed in Brussels next week. Spanish PM Mariano Rajoy will be in Berlin Monday for the same reason, while French President Francois Hollande will meet the chancellor in Paris on Wednesday“. And Pedro? Where’s Pedro?


Vítor Draghi

Os governadores de bancos centrais de antes da crise parecem-se muito com os famosos macaquinhos japoneses: não vêem, não ouvem, não falam. O nosso Vítor não viu nem ouviu o BPN e o BPP, ou se viu não falou. E também não viu nem ouviu (ou então não falou de) muitos outros riscos que pagaremos em devido tempo (por exemplo, somos agora todos donos de mais um banco, não se nota?). O Mario deles também não viu o Monte dei Paschi di Siena, uma coisinha em que o Estado italiano enterrou agora mais ou menos 4 mil milhões de euros (apenas o tamanho da nossa “refundação”). Encontram-se hoje os dois no topo da pirâmide para salvar o euro (um é presidente do BCE, o outro é vice-presidente). Estamos em boas mãos.


Cyprus Hill

Pelos vistos há, na Europa do euro, quem ache certos países descartáveis: Wolfgang Schӓuble considera que Chipre não merece salvamento por “não ser sistémico” para o euro. Afinal sempre se pode sair do euro.


Europeísmo smart 2

Londres procura parceiros no Norte e Leste para uma UE de estados-nação. Convinha que estivéssemos atentos, quanto mais não fosse para negociar: ou se acalmam ou já temos outro sítio para onde ir.


Grécia a ferro e fogo

No Inverno grego, as fogueiras são a moda.


Declaració de sobirania i el dret a decidir del poble de Catalunya

E pronto, lá entraram numa estrada sem retorno. Onde acabará, não se sabe: “D’acord amb la voluntat majoritària expressada democràticament per part del poble de Catalunya, el Parlament de Catalunya acorda iniciar el procés per fer efectiu l’exercici del dret a decidir per tal que els ciutadans i les ciutadanes de Catalunya puguin decidir el seu futur polític col·lectiu.”


Europeísmo smart

David Cameron, prometendo um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia: “for us, the European Union is a means to an end – prosperity, stability, the anchor of freedom and democracy both within Europe and beyond her shores – not an end in itself. We insistently ask: How? Why? To what end? But all this doesn’t make us somehow un-European. The fact is that ours is not just an island story – it is also a continental story. For all our connections to the rest of the world – of which we are rightly proud – we have always been a European power – and we always will be. From Caesar’s legions to the Napoleonic Wars. From the Reformation, the Enlightenment and the Industrial Revolution to the defeat of Nazism. We have helped to write European history, and Europe has helped write ours“.


Refundação smart 2

O problema da “refundação do Estado” é quando se começa a pensar nela. Por isso é que não pode ser feita em dois meses, a pedido de credores. E é por isso que não pode ser feita à base de coisas como: “é público? Corta!” Os credores querem cortar despesa. Quem quer refundar o Estado deveria querer o mesmo mas de maneira “smart” (como se diz no “Relatório do FMI”).

Ontem, João Carlos Espada, num óptimo artigo no jornal Público, mostrava como funciona a ADSE. A ADSE é, no essencial, um sistema de seguros que permite ao segurado escolher de entre os diversos prestadores de serviços que com ela estejam convencionados. Nesse sentido, é um sistema de protecção mais interessante do que o sistema generalizado garantido pelo SNS. Como dizia Espada, mais valia que todo o sistema público de assistência fosse uma enorme ADSE do que a coisa meio soviética (inglesa, na verdade) que temos hoje. Era um grande negócio para privados, como já é hoje? Certamente. Mas, devidamente organizado, o mercado poderia até trazer concorrência que aumentasse a qualidade e baixasse os preços. O que hoje existe também é um grande negócio para privados: os médicos usam o SNS como plataforma de atendimento para depois dirigir os doentes para os seus consultórios privados; as filas de espera garantem um belíssimo negócio aos hospitais privados e às companhias de seguros. Na verdade, nós nunca tivemos um serviço de saúde público e gratuito: é caro (pelos impostos e pelas despesas privadas em consultas de especialidade e em seguros) e é semi-privado.

Também como dizia Espada, a “refundação” feita à bruta arrisca-se a ser pior do que aquilo que existe. Já ouço o argumento do costume: se não é assim à bruta, com a troika às costas, nunca é. Trata-se de uma confissão de cobardia e incapacidade política. Se não são capazes de defender reformas decentes e apenas aplicam o que a troika manda, cujas consequências são desastrosas, então safem-se sozinhos.


Refundação smart

Um exemplo claro da desonestidade com que se debatem certas coisas em Portugal (não sei se também é assim “no estrangeiro”, ou “lá fora”) é a questão do número de funcionários públicos e respectivo pagamento. O “relatório do FMI” não apresenta dados novos, mas repete duas informações interessantes: uma, em termos de proporção da população activa, temos um número de funcionários públicos inferior à média da OCDE (ou da UE, se quisermos), menos até do que esses campeões do liberalismo que são os EUA e a Grã-Bretanha; outra, em percentagem da despesa pública, gastamos muito mais em salários de funcionários públicos do que a média da OCDE.

Os partidários da “refundação” só falam do peso da folha salarial; os adversários da “refundação” só falam do número de funcionários. Ora, o que é interessante aqui é mesmo a discrepância entre as duas coisas: porque razão, com muito menos funcionários públicos, gastamos muito mais com eles? Eu não sei, embora tenha algumas suspeitas (e o “relatório do FMI”, sem ser definitivo, aponta em certas direcções). Mas aqui está algo merecedor de estudo e análise. Se se descobrisse a origem disto e tentasse resolver, poder-se-ia fazer uma reforma simultaneamente eficaz em termos financeiros, pouco gravosa em termos sociais, e ainda eficaz em termos políticos.

É só preciso um bocadinho de trabalho, mas se calhar é pedir demais.