Finnish with the euro

Sempre me pareceu, desde o início da crise, que a questão da permanência do euro deveria ser discutida. Não porque seja qualquer espécie de panaceia universal. Muito pelo contrário: caso Portugal abandonasse o euro ou caso o euro deixasse de existir, as consequências seriam terríveis. Mas como mostram as actuais consequências terríveis, em Portugal e nos outros países, os custos económicos, sociais e políticos da permanência podem bem ser superiores aos do abandono. Seria sempre terrível, mas pode revelar-se menos terrível do que aquilo que andamos a fazer. E será tanto mais terrível quanto menos pensarmos no assunto.

A que acresce o verdadeiro grande problema, que ninguém discute: a essencial anomalia política de um sistema que pede transferências orçamentais quando não existem condições democráticas para um orçamento europeu. O mundo contemporâneo liberal e democrático nasceu em torno das finanças públicas: “no taxation without representation”, como os revolucionários americanos resumiram, num dos melhores slogans políticos da História. Nesta perspectiva, o euro parece um mecanismo de instabilidade permanente. Mais, parece um mecanismo de conflito permanente.

Em Portugal, a questão do euro assume uma dimensão praticamente religiosa. “Não se pode discutir o euro” é quase o dogma da Imaculada Conceição. Noutros países de observância menos estrita a questão vai sendo discutida abertamente. Na Finlândia, por exemplo. Veja-se este artigo de Gillian Tett: “as  the eurozone crisis rumbles on, some Finnish business and government officials  are quietly mulling the logistics of leaving  the currency union. […] As Heikki Neimelaeinen, chief executive of the  Municipal Guarantee Board says: ‘We have started openly discussing the mechanism  of euro exiting, without indicating that we will initiate such a process'”.

Convém que estejamos atentos. Há quem pense que há vida para além do euro.

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One Comment on “Finnish with the euro”

  1. João Santos says:

    No caso de Portugal, só há vida para além do Euro.

    Dentro deste Euro pouco se pode fazer senão continuar a enfiar a cabeça na areia.


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