Dá-me o irreal

Parece-me que a mais grave crise da crise do euro é a das nacionalidades espanholas – que tem, para mais, a vantagem de ilustrar em ponto pequeno o que seria uma Europa federal. Mas é igualmente impressionante a destruição dos sistemas políticos e partidários, a que a Espanha também não escapa. Na Grécia, foi o definhamento dos partidos ditos “respeitáveis” (em particular o PASOK) e a ascensão do Bloco de Esquerda local (o Syriza). Em Itália, é a “ditadura iluminada” de Mario Monti.

Hoje, aparecem uns números sobre intenções de voto em Espanha: o PP perdeu quase 15% desde as eleições de há onze meses, e o PS (que foi derrotado) perde 5%, em vez de recuperar como seria normal. Beneficiados são a Izquierda Unida e a Unión Progreso y Democracia, i.e. a clássica esquerda radical e um partido novo e estranho. Os políticos portugueses crentes na inércia do sistema devem tomar nota. E nem sequer vale muito a pena agitarem o papão do “comunismo”, como tenho visto por aí. Quando os partidos presumivelmente respeitáveis e razoáveis propõem coisas irrespeitáveis e irrazoáveis equiparam-se aos que presumivelmente não são.

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