National Leftgraphic

Como de costume, a esquerda está a ser ultrajada. Pela direita? Muito pelo contrário: pela própria esquerda. O PCP e o BE lançam cada um sua moção de censura, mas ao mesmo tempo (?!). Isto enquanto acusam o PS de “colaboracionismo” com a direita do “pacto de agressão” (porquê? Por não lançar a sua moção? Por não se juntar a uma delas? Qual?). Já o PS acusa o PCP e o BE  de (surpresa!) “colaboracionismo” com a “contra-revolução da direita”, ao precipitarem uma crise política que não interessa. Como diz Sérgio Sousa Pinto, “não é a extrema-esquerda que marca o tempo político do PS”. O PS anda aliás há muito a acusar PCP e BE de “colaboracionismo”, desde o seu desempenho enquanto aliado objectivo (perdoe-se-me a terminologia estalinista) da direita na queda do Governo Sócrates. Como se a “extrema-esquerda” devesse agradecer penhoradamente os tratos de polé que o PS lhe costuma aplicar no Governo. O que é recíproco, de resto: como Sousa Pinto percebeu muito bem, “esta pressa da extrema-esquerda” procura apenas “trazer rapidamente o PS para a governação”. E para quê? Para melhor debulhar o PS, certamente obrigado a uma qualquer política de austeridade uma vez chegado ao Governo, e assim crescer à conta dele.

Mas a grande história por estes dias é o projecto unitário do Congresso das Alternativas. Tão unitário que introduziu mais uma divisão na esquerda. Parece claro que a pressa de PCP e BE em apresentarem as suas censuras ao Governo visa apenas esvaziar este Congresso. O qual, correndo bem, os pode sangrar. Até as datas coincidem, embora por azar o 5 de Outubro ainda seja feriado este ano. Senão era no mesmo dia. Mas o caso é grave, porque o que o Congresso das Alternativas procura não é bem a “frente de esquerda”. É mais um flanco, à direita do BE e à esquerda do PS, que acabe por alargar (à esquerda) o apelo do PS e seja uma “alternativa” de Governo. Vê-se por aí muito entusiasmo de muita gente de “protesto” por chegar às vizinhanças da prosaica política democrática. Mas com calma, que ainda lhes podia calhar governar agora e (tal como mestre Hollande) ter de fazer austeridade. As Alternativas têm muita pressa em apresentar-se como tais, mas muito pouca em exercer enquanto tais.

É este magnífico ambiente de facas longas que vigora quando o Governo está quase a apresentar outro “pior Orçamento desde o 25 de Abril”. Isto é, precisamente quando devia estar unida no combate à “contra-revolução”, ao “pacto de agressão”, a esquerda entretém-se na intriga palaciana. Quem é amigo, Pero Coelho, quem é?



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